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Quem vai ao supermercado percebeu a alta no preço de vários alimentos. O conhecido arroz com feijão, base para o prato do brasileiro, está pesando no bolso. O arroz teve alta de 3,08% em agosto e acumulou 19,25% no ano. Já o feijão, dependendo do tipo e da região, teve inflação acima dos 30% no ano.
Quem sentiu mais a aceleração do preço dos alimentos foi a família de baixa renda, principalmente em um momento de elevado desemprego e perda na renda. Mas a pergunta que fica é: por que os alimentos subiram tanto? Continue lendo o post e descubra os motivos.
A alta de alimentos não se deve a um único fator isolado, e sim a uma combinação deles. O arroz citado acima, por exemplo, tem problemas de oferta e se tornou um dos principais vilões. Já o óleo de soja está pressionado pela alta do dólar, que valorizou 40% nos últimos seis meses. A desvalorização do real também encareceu a importação de trigo, fertilizantes e agrotóxicos.
A demanda aquecida no mercado interno e a redução da área plantada no Brasil (seca no Centro-Oeste, uma das maiores das últimas décadas) também ajudaram a aumentar o preço dos alimentos.
As sanções americanas à China fizeram o Brasil aumentar as exportações para o país asiático, reduzindo os estoques internos. Essa demanda elevada acaba aumentando o preço no mercado nacional. Um exemplo é a carne, que subiu 3,33% em agosto, após alta de 3,68% em julho.

A pesquisa do Banco Central (IC-BR) para preços no atacado mostra uma alta perigosa nos preços dos alimentos nos últimos três meses, de julho a setembro:
As maiores altas acumuladas em 2020 são para estes alimentos:
Em linhas gerais, a alta dos preços dos alimentos, principalmente os consumidos em casa, é resultado da menor oferta sazonal de produtos específicos. Junte-se a isso a retomada da demanda com o início da flexibilização das medidas de isolamento social.

Desde o início da pandemia, quando os brasileiros passaram a comer em casa, ficou cada vez mais caro colocar comida no prato. A inflação do grupo “Alimentação no domicílio” foi de 1,15% em agosto. No ano, a alta acumulada é de 6,10%.
O principal fator da pandemia foi a paralisação das indústrias no primeiro trimestre, o que resultou na menor produção de alimentos e desequilibrou a lei de oferta e procura.
A esperança é boa: com a retomada da produção, os preços tendem a voltar a patamares normais no Brasil. O risco de inflação elevada está mais ligado à política econômica do governo federal do que aos produtores rurais e donos de supermercados.
A variação do dólar ainda é uma incógnita para os próximos meses, ainda mais com a insegurança geral sobre o rumo da política fiscal. Mas com uma tendência de queda, o preço dos alimentos também cairá.
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